Tópico 02 · Fundamentos

Arquiteturas de Redes

Topologias, abrangência e os modelos cliente-servidor e P2P

Serviços de Redes

O que é a arquitetura de uma rede

Arquitetura de rede é o projeto geral que define como nós, enlaces, protocolos e serviços se organizam para comunicar dados.

Ela responde a três perguntas fundamentais: como os dispositivos se conectam fisicamente, como a informação flui logicamente e quem oferece e consome os serviços.

Física × Lógica

A arquitetura física é a disposição real de cabos e equipamentos; a lógica descreve o caminho que os dados percorrem — que nem sempre coincide com a fiação.

Arquitetura em camadas: protocolos também se organizam em camadas (modelos OSI e TCP/IP), separando responsabilidades — tema dos próximos tópicos.

Três eixos para classificar uma rede

Topologia

O formato das conexões: barramento, estrela, anel, malha, árvore ou híbrida.

Abrangência

A escala geográfica: PAN, LAN, MAN ou WAN.

Modelo de comunicação

O papel dos nós: cliente-servidor (centralizado) ou P2P (distribuído).

Esses três eixos são independentes: uma mesma rede pode ser, por exemplo, uma LAN em topologia estrela operando no modelo cliente-servidor.

Topologias físicas

Barramento Estrela Anel Malha

As quatro topologias fundamentais; árvore e híbrida combinam-nas hierarquicamente.

Topologias: vantagens e limitações

TopologiaComo funcionaVantagemLimitação
BarramentoTodos compartilham um único meio.Simples e barata.Colisões; a falha do cabo derruba tudo.
EstrelaNós ligados a um nó central (switch).Fácil de gerir; a falha de um nó não afeta os demais.O nó central é ponto único de falha.
AnelCada nó conecta-se a dois vizinhos, formando um ciclo.Acesso ordenado (token), sem colisões.Romper o anel pode parar a rede.
MalhaNós interligados por múltiplos caminhos.Alta redundância e tolerância a falhas.Custo de cabeamento elevado.
Árvore / HíbridaHierarquia que combina topologias.Escalável e organizada.Complexidade de projeto.
Número de enlaces na malha completa: com n nós, são n(n−1)/2 conexões — daí o custo crescer rapidamente.

Topologia física × lógica

Topologia física

É o cabeamento real: como os equipamentos estão fisicamente ligados. Ex.: todos os computadores ligados por cabo a um switch central (estrela física).

Topologia lógica

É o caminho dos dados. Ex.: a antiga Ethernet em estrela física comportava-se como um barramento lógico (meio compartilhado, com colisões).

Por que separar? Porque a forma como os dados circulam determina desempenho e colisões — independentemente de como os cabos estão dispostos.

Classificação por abrangência

menor maior alcance → PAN ~10 m Bluetooth/USB LAN prédio/campus Ethernet/Wi-Fi MAN cidade fibra metropolitana WAN país/mundo a Internet

Da rede pessoal à mundial: o alcance cresce e, com ele, mudam as tecnologias e a gestão.

PAN, LAN, MAN e WAN em detalhe

TipoAlcance típicoTecnologiasExemplo
PAN (Personal)Até ~10 mBluetooth, USB, NFC, ZigbeeFone sem fio, smartwatch.
LAN (Local)Prédio / campusEthernet, Wi-FiRede de uma empresa ou laboratório.
MAN (Metropolitan)CidadeFibra metropolitana, WiMAXInterligação de campi de uma universidade.
WAN (Wide)País / mundoMPLS, links de operadoras, satéliteA Internet; redes corporativas globais.
Variações citadas na literatura: CAN (campus) entre LAN e MAN, e GAN (global) para redes de escala planetária.

Modelos de comunicação

Cliente-Servidor Servidor clientes pedem; o servidor central provê P2P (ponto a ponto) cada nó é cliente e servidor ao mesmo tempo

Centralização (à esquerda) versus distribuição (à direita): duas filosofias opostas.

Modelo cliente-servidor

Um nó especializado — o servidor — concentra recursos e serviços; os clientes os solicitam sob demanda. É o modelo da maior parte da Web, e-mail e bancos de dados.

Exemplos: um navegador (cliente) consulta um servidor web; um app de e-mail busca mensagens em um servidor IMAP.

Vantagens

Gestão e segurança centralizadas, backup e controle de acesso facilitados, fácil de administrar.

Desvantagens

O servidor é ponto único de falha e gargalo; escalar exige investimento (hardware, redundância).

Modelo P2P (peer-to-peer)

Não há hierarquia fixa: cada nó (peer) atua simultaneamente como cliente e servidor, compartilhando recursos diretamente com os demais.

  • P2P puro: totalmente descentralizado (ex.: Gnutella).
  • P2P híbrido: um índice central localiza os pares (ex.: Napster original).
  • Estruturado: usa tabelas hash distribuídas (DHT — Chord, Kademlia).

Vantagens

Escala com os participantes (cada novo nó traz recursos), resiliência (sem ponto único) e baixo custo central.

Desvantagens

Mais difícil de proteger e controlar; consistência e disponibilidade do conteúdo são incertas.

Exemplos: BitTorrent (arquivos), blockchain (Bitcoin), IPFS e várias aplicações de comunicação.

Cliente-servidor × P2P

CritérioCliente-ServidorP2P
ControleCentralizadoDistribuído
Papel dos nósDistintos (cliente ≠ servidor)Iguais (todos são peers)
EscalabilidadeLimitada pelo servidorCresce com os participantes
Tolerância a falhasPonto único de falhaAlta (sem centro)
Segurança/gestãoMais fácil de controlarMais difícil de controlar
Custo centralAltoBaixo
Na prática, há híbridos: uma CDN distribui conteúdo por muitos servidores; serviços de streaming e jogos misturam centros de controle com troca direta entre pares.
Síntese

Em resumo

A arquitetura de uma rede combina três eixos: a topologia (barramento, estrela, anel, malha, híbrida), a abrangência (PAN, LAN, MAN, WAN) e o modelo de comunicação. O cliente-servidor centraliza serviços — fácil de gerir, mas com ponto único de falha; o P2P distribui papéis — escalável e resiliente, porém mais difícil de controlar. Soluções reais frequentemente combinam os dois.

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